sexta-feira, 29 de outubro de 2010

-" A pátria não é de todos

por Baptista Bastos [*]
"Uns murmuraram a sua atroz ignorância, outros a sua melancólica indiferença. Até que uma mulher de idade avançada, com a desconfiança pregada nos olhos e a sabedoria procedente de todas as agruras, respondeu: "Não acredito em nada nem em ninguém. Eles estão lá para se encher".
É o sentimento geral. A impotência associada à resignação; seja: o pior que pode acontecer a uma sociedade, abjurante das virtudes do civismo. Não é só o rotativismo de poder, disputado entre, apenas, dois partidos, que causa esta indolência moral. É a péssima qualidade intelectual dos políticos.
É a clara evidência de que dividem o "bolo" entre eles,substituindo-se nas administrações, nos bancos, nas grandes empresas, aumentando os vencimentos a seu bel-prazer, auferindo-se bónus e mordomias escandalosos. Vem nos jornais. Nada do que digo ou escrevo é resultado de qualquer rancor: factos são factos.

Pedro Passos Coelho ouviu, daqueles santos sábios, o que queria ouvir. E eles também não queriam ou não sabiam dizer outra coisa. Isto anda tudo ligado, e as relações políticas, entre aparentes adversários, são grandes rábulas, alimentadas pelo embuste e pela mentira. Penso, no entanto, que o presidente do PSD devia escutar vozes dissonantes, opiniões divergentes que permitissem uma análise mais clara e acertada. Claro que não é só Passos Coelho que ouve o que deseja ouvir. Todos os outros dirigentes, Sócrates incluído, e na primeira linha, seguem a música de idêntica mazurca.

Os sábios que se reuniram com Sócrates são muitos daqueles que pertenceram a governos execráveis, culpados de tudo o que de pior nos tem acontecido. Quase todos eles detêm reformas de luxo, duas e três, e atrevem-se a debitar, para as televisões, patrióticas lições salvíficas. Uma vergonha! Um deles, com deficiências de fala e escuma aos cantos da boca, trabalhou seis meses no banco do Estado e recebe uma reforma vitalícia de três mil e seiscentos contos (moeda antiga) pelo denodado esforço desenvolvido. Cito-o com frequência por entender que o cavalheiro é o retrato típico de uma situação abominável.

Quem pode acreditar em gente deste jaez e estilo? Em gente desavergonhada que tem, escancaradas, as televisões, para dizer sempre o mesmo, ou seja: coisa alguma de importante.

Afinal, de que falaram os quase vinte sábios? Com a soberba que os caracteriza, indicaram os mesmos remédios para a superação da crise: cortes nas despesas da saúde, da educação, e da previdência; rebaixamento de salários na função pública; acaso a supressão do décimo terceiro mês; redução nas pensões, aumentos nos medicamentos. É o pacote consuetudinário sugerido por quem, de facto, não dispõe de outras ideias e soluções que não sejam as do breviário neoliberal. A OCDE, considerava "muito credível", veio rezar semelhante litania. E ai de quem a desmonte! É logo considerado comunista ou afim. Um pouco de decência não faria mal.

Observe-se os rostos desta gente. Atente-se no que dizem, prometem, formula. Não conseguem mobilizar ninguém, nem concentrar emoções ou sentimentos, exactamente porque os não possuem. No começo da revolução de Abril, o Governo lançou um alerta e um apelo: Um Dia de Trabalho para a Nação. O País aceitou o pedido e a invocação. E foi um belo momento de unidade nacional, uma acção colectiva de patriotismo e de esperança absolutamente inesquecível. E só a má-fé ou a má consciência podem distorcer o que foi um extraordinário acontecimento político e social.

As frases daquela mulher, na televisão, ressoam como uma tragédia: "Não acredito em nada nem em ninguém. Eles estão lá para se encher." E a verdade é que o enriquecimento surpreendentemente rápido de muitos deles; a pesporrência arrogante da esmagadora maioria desses senhoritos é mais do que desacreditante: é sórdido.

Os jornais e as revistas, de vez em quando, publicam os nomes, os rendimentos, as casas luxuosas, os iates, os carros topo de gama dos que nos exigem sacrifícios, suor, renúncia, abnegação. Exigem mas não praticam. E, se o fazem, as beliscaduras nas suas fortunas são tão delicadas, tão suaves que eles nem dão por isso. Quando se tira a um reformado o mais escasso dos cêntimos as dificuldades que daí advêm são de tal monta, e as consequências imediatas são terríveis.
Os sábios que foram dizer a Passos Coelho o que este, comovidamente, queria ouvir, não estão ao lado de quem sofre e está na mó de baixo. A indiferença nunca ocultada, a ganância jamais dissimulada, o luxo em tempo algum encoberto (bem pelo contrário) constituem eloquentes testemunhos da casta a que pertencem. Portugal continua a ser, como escreveu João de Barros, "país padrasto e pátria madrasta" – para muitos, bem entendido, e "ridente torrão de malandros" [Filinto Elísio, "Sátiras"] para os que se ajustam.

*] Escritor, b.bastos@netcabo.pt

O original encontra-se em http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=446497

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

Matéria enviada por Canojones


quinta-feira, 28 de outubro de 2010

-" Dois Pesos" nas eleições brasileiras"

Artigo publicado em 02 do corrente, no jornal "O Estado de São Paulo", cuja publicação causou a demissão da autora.

"Dois pesos...


Autoria de Maria Rita Kehl

Este jornal teve uma atitude que considero digna: explicitou aos leitores que apoia o candidato Serra na presente eleição. Fica assim mais honesta a discussão que se faz em suas páginas. O debate eleitoral que nos conduzirá às urnas amanhã está acirrado. Eleitores se declaram exaustos e desiludidos com o vale-tudo que marcou a disputa pela Presidência da República. As campanhas, transformadas em espetáculo televisivo, não convencem mais ninguém. Apesar disso, alguma coisa importante está em jogo este ano. Parece até que temos luta de classes no Brasil: esta que muitos acreditam ter sido soterrada pelos últimos tijolos do Muro de Berlim. Na TV a briga é maquiada, mas na internet o jogo é duro.
Se o povão das chamadas classes D e E - os que vivem nos grotões perdidos do interior do Brasil - tivesse acesso à internet, talvez se revoltasse contra as inúmeras correntes de mensagens que desqualificam seus votos. O argumento já é familiar ao leitor: os votos dos pobres a favor da continuidade das políticas sociais implantadas durante oito anos de governo Lula não valem tanto quanto os nossos. Não são expressão consciente de vontade política. Teriam sido comprados ao preço do que parte da oposição chama de bolsa-esmola.
Uma dessas correntes chegou à minha caixa postal vinda de diversos destinatários. Reproduzia a denúncia feita por "uma prima" do autor, residente em Fortaleza. A denunciante, indignada com a indolência dos trabalhadores não qualificados de sua cidade, queixava-se de que ninguém mais queria ocupar a vaga de porteiro do prédio onde mora. Os candidatos naturais ao emprego preferiam viver na moleza, com o dinheiro da Bolsa-Família. Ora, essa. A que ponto chegamos. Não se fazem mais pés de chinelo como antigamente. Onde foram parar os verdadeiros humildes de quem o patronato cordial tanto gostava, capazes de trabalhar bem mais que as oito horas regulamentares por uma miséria? Sim, porque é curioso que ninguém tenha questionado o valor do salário oferecido pelo condomínio da capital cearense. A troca do emprego pela Bolsa-Família só seria vantajosa para os supostos espertalhões, preguiçosos e aproveitadores se o salário oferecido fosse inconstitucional: mais baixo do que metade do mínimo. R$ 200 é o valor máximo a que chega a soma de todos os benefícios do governo para quem tem mais de três filhos, com a condição de mantê-los na escola.
Outra denúncia indignada que corre pela internet é a de que na cidade do interior do Piauí onde vivem os parentes da empregada de algum paulistano, todos os moradores vivem do dinheiro dos programas do governo. Se for verdade, é estarrecedor imaginar do que viviam antes disso. Passava-se fome, na certa, como no assustador Garapa, filme de José Padilha. Passava-se fome todos os dias. Continuam pobres as famílias abaixo da classe C que hoje recebem a bolsa, somada ao dinheirinho de alguma aposentadoria. Só que agora comem. Alguns já conseguem até produzir e vender para outros que também começaram a comprar o que comer. O economista Paul Singer informa que, nas cidades pequenas, essa pouca entrada de dinheiro tem um efeito surpreendente sobre a economia local. A Bolsa-Família, acreditem se quiserem, proporciona as condições de consumo capazes de gerar empregos. O voto da turma da "esmolinha" é político e revela consciência de classe recém-a dquirida.
O Brasil mudou nesse ponto. Mas ao contrário do que pensam os indignados da internet, mudou para melhor. Se até pouco tempo alguns empregadores costumavam contratar, por menos de um salário mínimo, pessoas sem alternativa de trabalho e sem consciência de seus direitos, hoje não é tão fácil encontrar quem aceite trabalhar nessas condições. Vale mais tentar a vida a partir da Bolsa-Família, que apesar de modesta, reduziu de 12% para 4,8% a faixa de população em estado de pobreza extrema. Será que o leitor paulistano tem ideia de quanto é preciso ser pobre, para sair dessa faixa por uma diferença de R$ 200? Quando o Estado começa a garantir alguns direitos mínimos à população, esta se politiza e passa a exigir que eles sejam cumpridos. Um amigo chamou esse efeito de "acumulação primitiv a de democracia".

Mas parece que o voto dessa gente ainda desperta o argumento de que os brasileiros, como na inesquecível observação de Pelé, não estão preparados para votar. Nem todos, é claro. Depois do segundo turno de 2006, o sociólogo Hélio Jaguaribe escreveu que os 60% de brasileiros que votaram em Lula teriam levado em conta apenas seus próprios interesses, enquanto os outros 40% de supostos eleitores instruídos pensavam nos interesses do País. Jaguaribe só não explicou como foi possível que o Brasil, dirigido pela elite instruída que se preocupava com os interesses de todos, tenha chegado ao terceiro milênio contando com 60% de sua população tão inculta a ponto de seu voto ser desqualificado como pouco republicano.
Agora que os mais pobres conseguiram levantar a cabeça acima da linha da mendicância e da dependência das relações de favor que sempre caracterizaram as políticas locais pelo interior do País, dizem que votar em causa própria não vale. Quando, pela primeira vez, os sem-cidadania conquistaram direitos mínimos que desejam preservar pela via democrática, parte dos cidadãos que se consideram classe A vem a público desqualificar a seriedade de seus votos."

Fonte: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20101002/not_imp618576,0.php


sábado, 23 de outubro de 2010

-" Brasileira exibe sutiã milionário"

Um sutiã de pedras preciosas exibido pela modelo brasileira Adriana Lima. O que é digno de mais admiração: o exterior ou o interior ?


quinta-feira, 21 de outubro de 2010

-" Dois portugueses filmam no "Complexo do alemão"

Durante dois anos, dois portugueses viveram e filmaram o quotidiano no "Complexo do Alemão", um conjunto de 13 favelas, considerado o mais perigoso do Rio de Janeiro, cercado pela Polícia e num cenário de guerra.
"Complexo - universo paralelo", foi o título que deram ao filme que é apresentado, hoje, num festival de cinema. Na próxima semana, entrará no cicuito comercial.


quinta-feira, 14 de outubro de 2010

-" Évora, Cidade-Museu "

Vendo este interessante vídeo sobre a cidade de Évora, surge-me esta estranha questão: se os portugueses se orgulham da sua ascendência celta-lusitana, da romana (e através dela da grega), da sueva (os do Norte, o que fortalece a sua identidade comum com os habitantes da Galiza) da visigótica e da moura, porque será que os brasileiros, não no aspeto antropológico (que é variado, como sabemos) mas no aspeto cultural que, na sua quase totalidade é idêntico ao dos portugueses, não têm o mesmo sentimento ?



quinta-feira, 7 de outubro de 2010

-" Pavilhão de Portugal na Expo de Shangai"





O pavilhão português -- um edifício de 2000 metros quadrados, todo revestido de cortiça -- evidencia os 500 anos de contactos entre Portugal e China e a atual "aposta portuguesa nas energias renováveis".



A venda de pastéis de nata na cafetaria do pavilhão de Portugal na Expo2010 chegou ao recorde de 17 000 na quinta feira, o dia mais concorrido do certame, com cerca de 630 000 visitantes.



A afluência ao pavilhão de Portugal foi também a maior de sempre desde a abertura da Expo2010, no passado dia 01 de maio.

«Tivemos cerca de 75 000 visitantes, que é quase o dobro do anterior recorde. Foi um dia especial em tudo, com filas permanentes para entrar no pavilhão e até para comprar pastéis de nata», disse à agência Lusa um responsável português.

Cada pastel de nata custa 5 yuan (60 cêntimos).

Introduzido no continente chinês há cerca de uma década, o pastel de nata («pu shi dan ta», expressão que significa, literalmente, «tarte de ovo de estilo português») é também uma das especialidades da «Júlia Food Co», a empresa de Xangai concessionária da cafetaria-restaurante do pavilhão português.

A Júlia Food Co tem mais de 30 lojas em Xangai, com cozinheiros de Macau, mas para a Expo2010 contratou o chefe Bruno Magro, que trabalhava num dos raros restaurantes de cozinha portuguesa em Pequim.



A Expo2010, dedicada ao tema «Better City, Better Life» (Melhores Cidades, Maior Qualidade de Vida), é a maior exposição universal de sempre, com mais de 240 países e organizações internacionais, e pretende ser também a mais concorrida.

Até quinta feira passada, o número global de visitantes já tinha ultrapassado os 55 milhões e até ao final do certame, a 31 de outubro, os organizadores esperam chegar aos 70 milhões, mais seis milhões que o atual recorde, estabelecido há 40 anos na Expo de Osaka, no Japão.



O pavilhão de Portugal já foi visitado por quase 3,5 milhões de pessoas, um recorde na história da participação portuguesa em exposições universais.





Fonte: Agencia Lusa.







sábado, 2 de outubro de 2010

-" Todos para Angola e em força ! "

Finalmente a crise vai ser resolvida e vai realizar-se o sonho de milhares de angolanos e de portugueses.
No anos 70 não havia milhares de angolanos e de portugueses cujo desejo era viver em Angola, lá ganharem a sua vida e vir passar férias à Metrópole ?
Não se dizia que a maioria dos portugueses iria para Angola e a Metrópole passaria a ser a colónia de férias ?
Temos, agora, oportunidade de concretizar o sonho.