quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

-" BRASIL: somos um país sério ? "

Artigo assinado pelo jornalista e escritor Arnaldo Niskier, ex-presidente da Academia Brasile de Letras entre 1998 e 1999. Niskier também é acadêmico correspondente no Brasil da Academia de Ciências de Lisboa.
O artigo foi publicado no jornal Folha de S. Paulo em 14 de janeiro de 2013 tendo sido
extraído do sítio da Academia Brasileira de Letras.

"SOMOS UM PAÍS SÉRIO ? ...

A história do marechal Charles de Gaulle tornou-se clássica. Num dado momento, lançou a dúvida: “O Brasil é um país sério?”. Muitos de nós ficamos chocados. Isso feriu o orgulho nacional. Agora, a frase voltou à tona, a propósito da decisão do governo de adiar para 2016 a entrada em vigor do decreto assinado em agosto de 2008, pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a propósito do Acordo Ortográfico de Unificação da Língua Portuguesa. Mais três anos, para nada.
Houve uma adesão quase unânime do lado brasileiro.
Os nossos irmãos portugueses e algumas nações luso-africanas, como Angola e Moçambique, por interesses variados, resistiram à adoção, que tem por finalidade essencial a simplificação da escrita do nosso idioma. Nada mais do que isso. E com um claro objetivo estratégico: postular assim a oficialização do português como Língua de trabalho da Organização das Nações Unidas (ONU), o que eleva o nosso status internacional.
Também aqui há os recalcitrantes, que só agora se manifestam. Silenciaram em 1990, quando o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa foi assinado, e em 2008, quando se estabeleceu o prazo fatal para a unificação pretendida.
Somos obrigados a ler até alguns absurdos, como o comentário de que isso se fez de forma burocrática, sem audiências públicas, ou por “reformadores de plantão”. Aqui, uma clara agressão à memória de um dos grandes brasileiros que se debruçaram sobre o assunto, como é o caso do acadêmico Antonio Houaiss (1915-1999).
Antes de ser cassado, por motivos políticos, dedicou parte ponderável da sua vida, como filólogo consagrado, à discussão interna e externa dessa problemática. Só colheu aplausos. O Brasil aderiu com entusiasmo ao Acordo. Livros, jornais e revistas passaram a ser escritos com as novas normas. Centenas de concursos públicos, como é o caso do Exame Nacional do Ensino Médio, o ENEM (4 milhões de jovens), foram realizados com essa marca, aparentemente irreversível.
São quase 200 milhões de brasileiros que hoje escrevem de forma simplificada. Mudar esse quadro não foi desrespeitoso?
Numa prova eloquente da sua modernidade, o nosso país aceitou as recomendações da Academia Brasileira de Letras (ABL), no que tange às suas 200 mil escolas. Mesmo as do interior, como se atesta na Olimpíada de Língua Portuguesa, deixaram para trás os tempos de “voo” e “enjoo” com acento circunflexo.
De mais a mais, o que muitos desconhecem, há um decreto presidencial em pleno vigor, datado de 1972, que dá à Academia Brasileira de Letras as prerrogativas de ser a última palavra em matéria de grafia. Os mal informados ou mesmo os ignorantes desconhecem isso e aí só nos resta lamentar esse retrocesso."

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

-"Alemanha: a austeridade é um boomerang"


 

 Berlim tinha anunciado um crescimento de 1% para 2013. Agora, reduziu esse crescimento a… 0,4%. Ou seja, fez um corte de 60% na sua previsão! A previsão agora avançada pelo governo Merkel não anuncia realmente qualquer crescimento mas sim uma estagnação da economia alemã, neste ano. A auto-proclamada “locomotiva da economia europeia” tem vindo, no últimos anos a perder força de ano para ano: o crescimento em 2010 foi de 4,2%, em 2011 foi 3%, em 2012 só 0,7% (com o último trimestre do ano no ‘vermelho’…). Se este primeiro trimestre 2013 também correr no ‘vermelho’, a economia alemã entrará oficialmente em recessão, tal como a zona euro no seu conjunto já é considerada em recessão desde o terceiro trimestre do ano passado. Com uma economia dominada por uma estratégia mercantilista que faz das exportações o principal pilar, a Alemanha começa a sofrer as consequências da ‘austeridade’ que tem imposto aos seus parceiros europeus. Lançada pela Alemanha contra os Estados da periferia marítima, a austeridade surpreende Merkel ao comportar-se como um boomerang.

Fonte: "Inteligência Económica"

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

- "CPLP é um mar de oportunidades"


"O secretário-executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, o embaixador moçambicano Murade Murargy, escreveu artigo recente em que elogiou as iniciativas desempenhadas nas mais diversas áreas para a integração e a cooperação mútua entre os países do mundo lusófono.
Murargy sublinhou o facto de a Comunidade estar bem distribuída geograficamente no mundo, o que constitui para os países lusófonos uma vantagem na inserção no cenário mundial. “O que pode parecer um entrave, não é: os nossos Países tornam-se portas privilegiadas entre regiões e sub-regiões à escala planetária, fortalecendo-nos no plano internacional.”
O secretário-executivo também destacou que a entidade lusófona, unida pela Língua Portuguesa e por aspirações comuns de solidariedade e desenvolvimento, representa um “mar de liberdades e de oportunidades” que aproxima em vez de separar."
(Extrato do artigo publicado no dia 29 de dezembro no Diário de Notícias, de Lisboa ). :::