quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

-" CPLP, We Have a Problem"



22/02/2013

Um petroleiro foi assaltado, no Golfo da Guiné, no início deste mês, por gangs terroristas nigerianos. O assalto, inédito na zona, coloca à vista de todos aquilo que até agora era passado em silêncio: um imenso problema de segurança na zona em que se insere a Guiné-Bissau, S. Tomé e Príncipe e também a sua vizinha Guiné Equatorial… Dois pequenos Estados membros da CPLP e um pequeno Estado candidato, todos três ricos em hidrocarbonetos e com posições geográficas privilegiadas numa zona da mais alta importância para o abastecimento energético da Europa.

Há cerca de uma dúzia de anos que um alto responsável político de S. Tomé alertou Lisboa para o cenário da “invasão das pirogas” vindas da Nigéria. Este político sugeria um apoio português que funcionasse como dissuasão para tal cenário. Por exemplo, que ao abrigo de um acordo especial uma companhia de comandos portugueses estivesse uns tempos “em instrução” em S. Tomé e fosse, no fim da sua temporada, substituída por outra, num sistema rotativo que nunca deixaria o pequeno país lusófono desamparado. A sugestão ainda aguarda a concretização da resposta portuguesa…

A Guiné Equatorial, situada na mesma zona e partilhando ameaças comuns com S. Tomé (por razões comuns: a imensa riqueza em hidrocarbonetos…) tem insistentemente procurado, fazendo valer os séculos em que integrou o império português, ser admitida na CPLP, para quebrar algum isolamento na zona e sentir-se mais ‘confortável’. Também há anos que espera… Lisboa tem ignorado em absoluto o estado calamitoso da segurança no Golfo da Guiné e muito menos foi capaz de compreender os riscos e ameaças na zona e, sobretudo, ignora as oportunidades que tal situação lhe pode oferecer.

Mais atenta (como vem sendo hábito), Madrid tem aproveitado e tem, procurando ganhar influência na zona, sido pró-activa. Basta ler com alguma atenção esta recente notícia: “El destacamento de Infantería de Marina enviado a la costa oeste de Guinea para formar a militares de varios países en materia antipiratería ya ha finalizado su misión y prepara su regreso a España (…) representantes de la U.S.Navy, impulsora y principal sustento de la misión ‘Africa Partnership Station’, como se denomina a esta iniciativa internacional, ha trasmitido recientemente a mandos de la Armada su satisfacción por la labor de los representantes de la Marina española”.

Lisboa nunca mostrou a capacidade de ter uma “intelligence” da importância e da situação estratégicas da zona do Golfo da Guiné e nem dos “trunfos” que tem e detém para a zona e nem como usá-los para se afirmar, projectar influência e ajudar a resolver problemas regionais de segurança. A realidade, porém, acaba frequentemente por se meter pelos olhos dentro, mesmo dos que não querem ver. E, depois de assim terem de ver, é conveniente que deixem de fazer como se não vissem…

O assalto ao tanker Le Gascogne, no dia 2 Fevereiro, em águas da Costa do Marfim, fez a demonstração de que o cenário da “invasão das pirogas” não é fruto de imaginações febris mas de uma acertada leitura da situação na região. Ficou claro, desde 2 Fevereiro, que os ‘gangs’ do Delta do Niger têm capacidade para realizar operações em qualquer ponto deste Golfo. E que, se não têm apoios no aparelho de estado da Nigéria, contam pelo menos com a passividade do Estado nigeriano que, em terra não desarticula estes gangs e, no mar, se mostra incapaz de garantir a segurança da navegação e permite o assalto a petroleiros.

E, a acrescentar a isto, há agora mais isto: Nigeria: An al Qaeda-linked Group Kidnaps Foreign Workers… E isto: The Rise of a New Nigerian Militant Group

CPLP, “we have a problem” !



segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

-"A maioria dos alemães apoia Portugal"

Tradução da carta que a cidadã alemã Ute Pferdhirt enviou à redação do Jornal “O Público” no dia 11 do mês passado


Exmos.Senhores !

Esta carta vai escrita em alemão porque, embora eu possa ler, não consigo falar ou escrever português.
Ontem, li o excelente artigo de Manuel Carvalho “Foi Você que pediu o FMI ?” publicado no Vosso jornal  http://www.publico.pt/economia/noticia/foi-voce-que-pediu-o-fmi-1580105 .
e hoje recebi da “Central Federal Alemã para Formação Política” uma Newsletter com um artigo versando o mesmo tema http://www.nachdenkseiten.de/?p=15789#top .
Levo isto ao Vosso conhecimento para que, caso assim o entendam, possam facultar aos Vossos leitores o link para o referido artigo, porque pretendo que, pelo menos eles, fiquem a saber que a maioria dos alemães

- considera um enorme erro as medidas de austeridade que o MFI impôs à população portuguesa;
- espera que o seu apoio possa ser mais um argumento para uma próxima manifestação de protesto;
- deseja que o governo português abrande as medidas de austeridade

e, por último, mas não menos importante, que se saiba que os alemães não são a Angela Merkel e que na sua grande maioria repudiam as medidas que estão a ser impostas a países como Portugal .


Nota:
tradução e publicação com o acordo da autora


domingo, 3 de fevereiro de 2013

Futebol de Cabo Verde: entrevistas, só em Português

Uma decisão que deveria envergonhar grande parte dos responsáveis portugueses
A equipa nacional de futebol de Cabo Verde diz que está a fazer a sua parte para promover a Língua Portuguesa, ao recusar-se a dar entrevistas em qualquer outra língua na Copa Africana das Nações, disputada na África do Sul.
“Uma das razões que levam a que o português não seja tão conhecido internacionalmente é o facto de sermos tão educados com os estrangeiros e de falarmos com eles em suas línguas”, disse o porta-voz da equipa nacional Gerson de Matos ao diário desportivo português A Bola nesta quarta-feira.
A determinação de dar entrevistas em Língua Portuguesa no torneio na África do Sul segue instruções dadas pelo presidente da República de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca.
“Somos mais de 200 milhões de falantes do português no mundo. Se fizermos questão de falar português, talvez mais pessoas encarem a nossa Língua de outra forma”, disse Gerson de Matos.
A seleção estreante de Cabo Verde tem sido a grande surpresa na Copa Africana das Nações, ao atingir os oito pontos após dois empates e uma vitória aflitiva de 2 golos a 1 sobre a nação-irmã lusofalante Angola. Assim, passou pela primeira vez às quartas-de-final da competição.
“Cabo Verde pode não ter o peso internacional do Brasil, de Angola e de Portugal, mas pelo menos está a fazer a sua parte”, acrescentou o porta-voz.
Cabo Verde, o país mais pequeno desde sempre a competir nas finais da Copa Africana das Nações, obteve a independência de Portugal em 1975 e filiou-se à FIFA [Federação Internacional de Futebol], órgão que regula o futebol mundial, em 1986.