segunda-feira, 30 de setembro de 2013

-" A usurpação do termo " Espanha "

Por: Sérgio Rodrigues Salgado - Francesc Magrinyà




João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett (Porto 1799-Lisboa 1854) O célebre poeta português, Almeida Garret, que ainda estando contra da unidade política entre a Espanha e Portugal, dizia bem claro que os portugueses também eram espanhóis.

«Nem uma só vez se achará em nossos escritores a palavra «espanhol» designando exclusivamente ao habitante da Península não português. Enquanto Castela esteve separada do Aragão e já muito depois que unida, nós e as demais nações da Espanha, Aragoneses, Castelhanos, Portugueses, todos éramos, por estranhos e próprios, comumente chamados «espanhóis» assim como ainda hoje chamamos «alemão» ao Prussiano, Saxão, Hannoveriano, Austríaco: assim como o Napolitano, o Milanês, o Veneziano e o Piamontês recebem indistintamente o nome de Italianos. A perda de nossa independência política depois da jornada de Alcazarquivir, deu o título de reyes das Espanhas aos de Castela e o Aragão, título que conservaram ainda depois da gloriosa restauração de 1640. Mas espanhóis somos, de espanhóis nos devemos apreciar todos os que habitamos à Península Ibérica: Castelhanos nunca».

E eu ( Carlos Jorge Mota) agora acrescento:
Desde sempre defendi que o termo Espanha foi usurpado por "nuestros hermanos", nomeadamente o que fizeram espalhar pelo mundo acerca do significado de "hispânico", totalmente ao arrepio da verdade histórica. O Papa português João XXI, Pedro Julião de seu nome, nascido em Lisboa, ficou conhecido por Pedro Hispano. Hispânia não deriva de Espanha, mas sim o contrário. Tentativa hegemónica a que não estará alheio o facto de terem dado o nome "Ibéria" à sua Companhia Aérea de bandeira. Na atual Constituição Espanhola, a vigorar desde 1978, está escrito no seu Artigo 1º, Número 3, que a língua oficial de Espanha é o Castelhano, sem prejuízo de que nas Regiões Autónomas seja falada a respetiva língua (aquelas que a têm). Portanto, a designação Espanhol como língua é pura fantasia, artificialismo gerador de muita confusão, mas que não é ingénuo. Assimilar essa filosofia será contribuir para um objetivo eivado de razões políticas que já por si poderão ser apelidadas de um embuste. Somada a população que fala outras línguas, dentro da designada Espanha, diferentes do castelhano, duvido que o seu todo não seja superior às que falam unicamente o citado castelhano.

Portanto, Almeida Garrett já teria razão no seu tempo.

(Do Mural do Facebook de um amigo catalão, descendente de galegos, e que ama Portugal, publicado com sua autorização)

domingo, 29 de setembro de 2013

-" A Marinha Portuguesa "

Por: Arnaldo Norton

Marinha mercante, com maior ou menor significado, sempre existiu; mas a criação de uma
Marinha de Guerra foi mérito dos portugueses.
A Marinha de Guerra portuguesa é tão antiga quanto a nacionalidade e é considerada a mais antiga de todas as Forças Armadas do mundo, qualidade estabelecida por uma bula papal. Ainda hoje, em desfiles navais, os navios portugueses vão à frente, como reconhecimento da sua antiguidade.

A primeira batalha da Marinha portuguesa de que há registo deu-se ao largo do cabo Espichel, em 1180, tendo a esquadra portuguesa derrotado uma força invasora muçulmana.

Em 1312, por decisão do rei D.Dinis,é criada a Marinha Real e o cargo de Almirante-Mor.
O valor da Marinha de Guerra portuguesa está bem patente no Tratado de Windsor (1386), no 
qual o rei de Portugal se compromete a auxiliar militarmente o rei de Inglaterra enviando, 
anualmente, para aquele reino uma armada de dez galés
Quando no final do século XIV se inicía a expansão portuguesa a Marinha irá desempenhar o papel principal, explorando os mares e descobrindo novas terras.

Com a chegada à India e com o desmembramento da rota muçulmana/ veneziana das especiarias e consequente formação do monopólio português, a Marinha de Guerra passa a ter um papel decisivo na proteção dos navios mercantes e no combate às forças que se opunham ao domínio português atuando em todos os Oceanos..
O volume do comércio com a Ásia, a África e a América, fizeram com que Portugal tivesse necessidade de construir navios de maior capacidade de carga e de maior força bélica. Com a introdução da artilharia pesada a bordo dos navios a armada portuguesa adquiriu uma força inigualável.
No princípio do século XVI, Portugal tinha os maiores navios jamais concebidos, contando já com 400 de alto bordo, entre naus, galeões e caravelas. A Inglaterra tinha apenas 20 navios de alto bordo e Espanha menos de 70, entrte galeões e naus.
A nau São Gabriel deslocava 300 tonéis, a Fror de la Mar 400 e, em apenas dez anos, o tamanho dos navios mais que duplicou, chegando a atingir 1.000 tonéis como no caso do galeão Santa Catarina do Monte Sinai.
A nova tecnologia permitiu que naus e galeões, além de maior capacidade de carga, tivessem enorme poder bélico e pudessem transportar soldados. Nasceram, assim, os Fuzileiros Navais.
Como exemplos, posso referir:
a nau Fror de la Mar que deslocava 400 tonéis, tinha 40 canhões de bronze, com uma cadência de tiro de meio minuto e era uma autêntica fortaleza flutuante com  uma equipagem de 50 marinheiros e centena e meia de soldados equipados para a guerra;
e o galeão São João Batista, conhecido pela alcunha de Botafogo, o mais poderoso navio de guerra do mundo, topo de gama naquela época: 1.000 tonéis, 366 bocas de fogo de bronze e um esporão assombroso que rompeu as correntes que protegiam a cidade de Tunes, durante a batalha de Lepanto, na qual Portugal auxiliou as forças do imperador Carlos V.
É esta gloriosa Marinha que tem o lema:”A Pátria honrai que a Pátria vos comtempla”.

NRP Sagres o embelmático navio-escola da Marinha portugues

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

- "A Língua de Todos Nós"

Por: Ganganeli Pereira
A língua portuguesa depois de expandir-se do seu berço, Gallaecia/Condado Portucalense, até ao Algarve, a partir do século XV difundiu-se também nas costas africanas, americanas e asiáticas, incluindo as ilhas atlânticas, através da expansão ultramarina portuguesa. O português é hoje falado por mais de 260 milhões de pessoas, sendo a quinta língua mais falado no mundo. É língua oficial dos países da CPLP: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, e Timor-Leste, bem como em Macau e Guiné Equatorial, como segunda língua de opção. Continua também a ser falada, embora em pequena escala, nos antigos territórios da Índia Portuguesa, em Goa, Damão, Dadrá e Nagar-Aveli, e Diu, integrados na UI em 1961 à força. Em Goa há instituições, como, a Fundação do Oriente e a Sociedade de Amizade Indo-Portuguesa, dedicadas ao ensino da língua portuguesa que é ensinada como língua de opção, nas escolas primárias, desde que haja número suficiente de alunos e professores disponíveis. A Universidade de Goa tem um departamento de português. Há também pequenas comunidades de pessoas que faziam parte do império português, até ao século XVII, que usam o crioulo português, espalhadas, pelas costas da Índia oriental e ocidental, Ceilão, Malaca, na Malásia, e na África Oriental. Na China e na União Indiana, além de Goa, também há a divulgação e o ensino da língua portuguesa aos estudantes universitários.


As comunidades portuguesas estabelecidas, em África do Sul, Venezuela, Estados Unidos de América, Canadá, França, Alemanha, Luxemburgo, Suiça e Inglaterra, são agentes da difusão da língua e cultura portuguesas, em cada um desses países. As comunidades de imigrantes que existiram em Portugal antes da crise económica (marroquinos, ucranianos, moldavos, russos, romenos, chineses e industânicos) também devem ter aprendido a falar a língua portuguesa, pelo menos como língua de trabalho no seu dia a dia. E com a atual crise da diaspora portuguesa, sobretudo da juventude universitária, a língua portuguesa está ainda mais difundida pelo nosso globo terrestre. Os seguintes vídeos são bem explicativos sobre a evolução da língua portuguesa no mundo: http://www.youtube.com/watch?v=bYd9HrqsbyI ehttps://www.youtube.com/watch?v=EtBief6RK_I

sábado, 7 de setembro de 2013

-" No dia da Independência do Brasil ..."

... quero enviar a todos os irmãos brasileiros os meus parabéns e desejar que se esforcem para esclarecer os mitos e os enganos que deturpam a opinião que têm sobre os portugueses, do que a questão que se segue é um típico exemplo:

Como seria o Brasil hoje, se tivesse sido povoado e não explorado?
  • Publicado por Simone Lessa 
  • Gostaria muito de saber o que pensam os amigos do site sobre a questão do Brasil ao invés de ter sido colonizado com exploração, tivesse sido povoado, como os EUA, por exemplo.
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Eis o "vírus" que há anos infeta a opinião dos brasileiros mal informados acerca dos portugueses ! ...Digo "mal informados", e creio que com razão, conforme se depreende dos comentários de brasileiros que a seguir se reproduzem.
ANorton

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 Resposta de Andréia Martins
Olá, bom esta é uma boa questão para pensarmos, pessoalmente não gosto muito destes conceitos ou "títulos", colonia de exploração ou de povoamento. Se pararmos para pensar, toda a colonição daquela época era inevitavelmente de exploração, a sociedade experimentava o mercantilismo, o expansionismo, em minha opinião mais comercial que territorial. Se pensarmos em termos de América e rotularmos Estados Unidos como colônia de povoamento, devemos então lembrar que apenas o norte dos atuais Estados Unidos era colônia de povoamento;nos estados do sul o sistema era de exploração como aqui. Então poderíamos concluir que no norte não havia muito a ser explorado, por isso o desinteresse pela exploração lá. Também podemos cogitar que a Inglaterra da época não tinha tanta experiência em colonizar como tinha Portugal com vários exemplos de colonias "bem sucedidas". Lembre, conceito de colônia e lucro andavam juntos. Sendo assim poderíamos concluir dizendo que o fato de parte dos Estados Unidos da América ter se desenvolvido como colônia de exploração se deve a falta de expêriência Inglesa em produzir colônias.

Resposta de Guilherme Sarmento Filho

Sinceramente Simone Lessa, acho uma crítica enraizada no senso comum, e gostaria de referir aqui o livro do Sergio Buarque de Hollanda "Raízes do Brasil". Como gosta de afirmar meu mestre, o professor  Cesar Ornellas, "nem tanto a terra nem tanto ao mar"... Primeiramente a existência de uma estrutura de exploração comercial das riquezas naturais fazia parte da própria lógica do mercantilismo e foi posta em prática por todas as nações europeias, inclusive nos EUA, onde somente foi amenizada nas colônias do norte por questões estratégicas, como por exemplo o fato da região apresentar clima parecido com a da sua metrópole, trazendo como consequência o desinteresse em produzir o mesmo tipo de produto, para não criar concorrência. Em segundo lugar, o fato da exploração em si não significa inexistência de povoamento, muito pelo contrário, em diversas ocasiões foi mesmo estratégia para a manutenção do domínio régio, e no caso especifico de Portugal, como sugere o próprio Sergio Buarque, ou até mesmo Darcy Ribeiro, mas interessante no sentido de que, obviamente além da violência da dizimação por doenças e guerras "justas", uma miscigenação - bem ao gosto da mentalidade naturalista portuguesa da época e que pode ser vista também como uma violência dependendo do ponto de vista -, que não somente aculturou como também integrou os povos invadidos - indígenas e africanos -, ao sistema cultural dos invasores, influenciando por outro lado esse mesmo sistema invasor enormemente até ao ponto do que viemos depois a identificar como sendo genuinamente brasileiro, que é essa salada de fruta gostosa toda. Diferentemente, por exemplo, do que se configurou nos EUA, onde, além da exploração, o povoamento se fez com características de segregação racial. No Brasil colonial, residiram não somente comerciantes falidos ou bandidos como pretende o senso comum, mas toda uma variedade que ia desde o negro africano, o índio e o caboclo e mameluco, ao reinol português, nobre de sangue, e os luso-brasileiros, "homens bons", principais da terra que detinham o poder local e que podiam ser tanto brancos como miscigenados. Não podemos nos esquecer que essa gente toda, ao longo do cotidiano, criou sentimento de pertença com a terra, numa apropriação do lugar que, se se considerava parte integrante do império português, ao menos era o "seu" pedaço de império português e aqui foi que quiseram desenvolver suas famílias e construir suas riquezas.