terça-feira, 6 de dezembro de 2016

-"DESENRASCANÇO": a "arma" portuguesa que o Mac Gyver aprendeu a dominar"

  
Agora que o Mac Gyver vai voltar à TV em Portugal, parece-me oportuno recordar o texto que publiquei em 10.01.2014

A palavra que mais falta faz na língua inglesa ! ...

O sítio da internet CRACKED publicou uma lista das 10 palavras que mais falta fazem na língua inglesa e em primeiro lugar estava a palavra portuguesa “desenrascanço”. 
Publico a seguir a tradução do trecho do artigo que a ela se refere. 



“ Ser um Mac Gyver !
Esta é a arte de encontrar a solução para um problema no último minuto, sem planeamento e sem recursos. É o cabide que Você usa para pescar as chaves do carro caídas na sanita, etc.O mais interessante sobre o desenrascanço é o que diz sobre a cultura portuguesa. Enquanto nós fomos criados no lema dos escuteiros “estar preparado”, o conceito dos portugueses é exatamente o oposto. Ideias e improvisos de última hora são habilidades muito valorizadas ao ponto de serem ensinadas nas universidades e nas forças armadas. Eles acreditam que esta capacidade de encontrar soluções casuais tem sido fundamental para a sua sobrevivência ao longo dos séculos."Fuck preparation ! ... They have desenrascanço !"Não se riam ! ...  Graças a isso eles conseguiram construir e gerir um império que se estendeu do Brasil às Filipinas."



De "Inteligência Económica" respiguei o seguinte comentário:

"Os americanos descobriram que os portugueses têm o que eles queriam ter mas nunca terão ... E os alemães ainda menos terão: DESENRASCANÇO.

“ Fuck preparation... They have desenrascanço !”, dizem eles e acrescentam “Não se riam. Desse modo eles conseguiram criar um império do Brasil às Filipinas”.O desenrascanço não tem, porém, nada a ver com a falta de preparação, como o texto do sítio americano sugere. O desenrascanço tem a ver com séculos, mesmo milénios, de ousar bater-se em guerras e outras situações para as quais os recursos eram, sistematicamente escassos e não eram, frequentemente, os mais adequados. E até, em certas épocas e ocasiões faltou um recurso imprescindível: uma liderança capaz e à altura. Pelo que, para não perder, sempre foi preciso “inventar”.Este posicionamento vulgarizou, entre os portugueses, a relação entre o fraco e o forte. Relação que se tornou uma constante na matriz portuguesa de  de estratégia. Sem recursos suficientes para as exigências das situações em que se batiam e, frequentemente, sem os recursos mais adequados, os portugueses tornaram o seu espírito e inteligência o recurso “gazua” para “ajeitar à tarefa aquilo de que dispõem: com o que têm “inventam” e fazem ...Num exemplo banal e clássico, em caso de curto circuíto, nenhum português esperará (como alemães e outros) pelo eleticista e, se um araminho não resolver a coisa, saca da “prata” do maço de cigarros e ... “fiat lux”. Assisti a uma estória destas com um português, radicado em Bruxelas, na sede europeia de uma multinacional americana, onde ele se encontrava por acaso.A tecnologia (a exploração do avanço tecnológico) mas também a finta e a manha são outras componentes da forma portuguesa da superação da escassez de recursos. E que aprenderam, ao longo de milénios, a ser capazes de combinar no último momento, desenrascando a situação. Nos últimos dois milénios, nas guerras travadas no seu extremo ocidental da Europa ou nas que travaram por todo o globo, os efetivos portugueses sempre foram inferiores aos que defrontavam. Pode ter havido exceções mas essa era a norma. Em suma, ao contrário do que dizem os autores do texto, o desenrascanço exige muito conhecimento e muito treino. Muita “preparation”, portanto.Veja-se Aljubarrota, esse momento por excelência do ser português. O campo de batalha a que os portugueses atraíram o invasor (com efetivos várias vezes vezes superiores e uma forte e numerosa cavalaria castelhano-francesa) foi “preparado” nas horas que antecederam a batalha. Mas a “preparação” do confronto apresenta as três caracteristicas acima referidas: a finta, a manha e a explotação do avanço tecnològico.O invasor é fintado quando é convencido de que a manobra portuguesa é algo completamente diferente daquilo que realmente era. A manha concretiza-se nas “covas de lobo”, semeadas no campo escolhido para a batalha, que neutralizaram o impacto da cavalaria sobre a pequena hoste portuguesa. A exploração do avanço científico manifestou-se na arma escolhida para ter a função principal: o arco grande, uma arma com capacidade para dizimar a cavalaria (como dizimou) e que, por isso mesmo, era absolutamente interdita de uso pela Igreja de Roma.A batalha que o invasor tinha imaginado não se deu. Pelo contrário, o que aconteceu foi uma das primeiríssimas batalhas em que a infantaria (apesar de em número inferior) dizimou a tradicional cavalaria e, por isso, e deste ponto de vista, Aljubarrota é também um toque de finados pelo feudalismo na Europa.

Improvisação e desenrascanço, sim, houve; mas muito bem “preparado”. Por isso é que aquele americano “fuck preparation” é um disparate de quem não percebeu nada do que é a matriz portuguesa de estratégia e não percebeu o que realmente é o “desenrascanço”.    



quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

-" A Pororoca do surpreendente rio Amazonas"

POROROCA, é uma palavra Tupi / Guarani, que significa "grande estrondo".

O RIO AMAZONAS, tem a sua origem no Lago Mismi, a 5.500 metros de altitude, na Cordilheira dos Andes, no sul do Peru, com o nome de Ucayalli.




No seu trajeto, até à sua foz no OCEANO ATLÂNTICO, de 6.995,06 Km, o que o torna o segundo maior rio do mundo, tem carateristicas absolutamente únicas.
- - É transversal à quase totalidade da América do Sul

- - Tem mais de mil afluentes.



- - Desagua junto ao rio Tocantins, no norte brasileiro, numa foz que representa um delta e um estuário, o que o faz ser único no mundo.
- - Tem oito nomes ao longo do seu percurso.
- - Entra no Brasil com o nome de Solimões e só em Manaus, após a junção com o rio Negro, recebe o nome de Amazonas.
     Aqui dá-se o fenómeno de as águas dos dois rios não se misturarem.


- - Com mais de 7 milhões de km2, é a maior bacia hidrográfica do mundo.
- - A área coberta que na estação seca é de 110.000 km2, na época das chuvas atinge 350.000 km2.
- - A sua largura máxima que na época seca é de 11 km, na época das chuvas chega aos 50 km.
- - Apesar de ser um rio de planície, tem uma surpreendente profundidade de 100 metros, o que o torna navegável em toda a sua extensão.

Temos aqui reunidos os elementos e as condições que dão origem a uma pororoca.

Uma pororoca acontece quando as águas de um grande rio são impedidas de desaguar devido à maré-cheia de um oceano.
A pororoca maior do Brasil, é a que é provocada quando a maré-cheia do Oceano Atlântico choca com as águas do Amazonas impedindo-as de desaguar. Durante o choque, gera-se um estrondo enorme que se designa por pororoca.


As ondas geradas chegam a atingir 4 metros de altura e penetram no rio cerca de 50 km a uma velocidade de 20 km/h.


A paz regressa após uma hora e meia de luta. O fenómeno repete-se cada 12 horas.  


sábado, 26 de novembro de 2016

-"Empréstimos do Português ao idioma URDU


URDU é a língua oficial do Paquistão, de parte do Afeganistão e uma das 24 línguas nacionais da União Indiana. É uma língua indo-europeia que se formou com influência das línguas persa, turca e árabe. Escreve-se num alfabeto árabe modificado. Em tempo, foi considerada "a língua de cultura".




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Depois da chegada de Vasco da Gama a Calecute e os portugueses se terem fixado em várias áreas da Península Industânica, a sua influência começou a fazer-se sentir, de diversas formas, inclusive nas línguas, essencialmente no Urdu, no Gujarate, no Concanin e em dialetos falados nos arredores de Bombaim e no sul da Índia.
A primeira relação de palavras de origem portuguesa existentes no Urdu foi divulgada por Moulvi Abdul Haq, num artigo que publicou em 1949.
Um estudo mais apurado foi levadoa a cabo por Muhammad Umer, o que foi tema dum livro que publicou em 1955.
As palavras emprestadas pelo português e os esclarecimentos correspondentes, foram retirados de ambas as fontes acima referidas.


Se comer uma ALFONSO, uma variedade de manga, lembre-se que a palavra é uma variante do português. Em algumas partes do sul da Índia também lhe chamam hapus ou aapus.
ANANÁS, é mais uma palavra emprestada pelo português, quando trouxeram para a Índia este fruto originário das Américas Central e do Sul.
SANTRA ou SANGTRA, é o nome da laranja em Urdu, fruto que foi introduzido pelos portugueses, e é uma corruptela do nome de Sintra, uma localidade cerca de Lisboa, famosa pela cultura desse fruto.
PAPEETA, em Urdu, é o nome da papaia, fruto que os portugueses truxeram das Caraíbas.
ALMAARI, deriva da palavra portuguesa armário.
CHAABI, vem da palavra chave. Em algumas línguas do Ocidente da Índia, como o Gujarate, usa-se o termo CHAVI, como se vê muito semelhante ao termo original.

ANGREZ, é a palavra que designa um homem inglês e que tem uma interessante derivação: ANGREZAN ou ANGREZNI, uma mulher inglesa. Tem outra derivação mais interessante ainda: ANGREZIYET, ou seja, inglesisses.
AYA, tem o mesmo significado da palavra portuguesa aia.
ALPIN ou AAPIN, deriva do português alfinete.
ISTARI, ferro de engomar, vem da palavra estirar.
BAALTI, tem origem na palavra portuguesa balde e em algumas zonas também bacio.
PAADRI, vem da palavra portugues padre.
GIRJA, deriva da palavra igreja.
PAGAAR, significa salário, em Urdu, e começou por ser usado na costa Oeste e Sudoeste da Índia, especialmente em Gujarate e Bombaim. Mais tarde começou a ser usado com variações regionais. Como é óbvio, deriva da palavra pagar.
PIRACH ou PIRICH, deriva da palavra pires.
PIPA, é o mesmo que em português.
SAYA, é a peça de roupa saia.
NEELAAM, leilão.
TOLIYA, toalha em português.
Existem muito mais palavras de origem portuguesa no idioma Urdu, mas estas já nos dão uma ideia da influência que a língua portuguesa teve.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

-"Pedro Teixeira, um dos portugueses a quem o Brasil deve a sua dimensão geográfica"

                                                   Estátua de Pedro Teixeira, em Cantanhede
O seu maior feito começou a 25 de julho de 1637, quando partiu de São Luiz do Maranhão chefiando setenta soldados e mil e duzentos remadores e flecheiros indígenas, em 45 canoas, numa expedição com o objetivo de subir o rio Amazonas para confirmar a ligação entre o oceano Atlântico e o Perú.
Pedro Teixeira cumpriu o objetivo e foi muito mais além, só terminando a viagem em Quito, no Equador; crê-se que com a finalidade de tentar deslocar para oeste a linha do Tratado de Tordesilhas.

As autoridades espanholas locais reagiram, houve escaramuças, mas Pedro Teixeira conseguiu fundar a cidade de Franciscana na confluência dos rios Aguarico e Napo conseguindo, desse modo, confirmar a posse dessas terras para o Brasil.

Mas, a contribuição que Pedro Teixeira deu para a dimensão do Brasil já vinha de muitos antes.

Em 1615, tomou parte na campanha para expulsar os franceses de São Luiz do Maranhão.

Após a expulsão dos franceses, fez parte de uma expedição à foz do rio Amazonas, com a finalidade de consolidar a posse dessa região. Dessa expedição resultou a construção do Forte do Presépio que deu origem à atual cidade de Belém do Pará.

Em 1625, lutou contra os holandeses que tinham ocupado um Forte no rio Xingu.

Nesse mesmo ano, tomou parte na luta contra os ingleses nas margens do rio Amazonas.

Como reconhecimento por sua extensa lista de serviços prestados na conquista da Amazônia brasileira foi agraciado com o cargo de capitão-mor da Capitania do Grão-Pará  em 1640.

Pedro Teixeira nasceu em Cantanhede (Portugal) em 1570 ou 1587 e faleceu em Belém em 4 de julho de 1641, ano e meio após a sua tomada de posse.

É a homens como este que o Brasil deve a sua dimensão !

É a homens como este que o Brasil e Portugal devem a grandeza da sua história !

sábado, 5 de novembro de 2016

- "Palavras japonesas de origem portuguesa"


Nas suas viagens ao Oriente, os portugueses foram deixando a sua língua espalhada, em maior ou menor quantidade, entre vários povos que , ainda hoje, usam os termos que com eles aprenderam. Segundo alguns autores, existem cerca de 400 palavras de origem portuguesa no japonês atual.
No auge da influência portuguesa no Japão, seriam usadas cerca de 4.000 palavras de origem portuguesa.

Passamos a mencionar 6 palavras que podem ser consideradas representantes de grupos, mas podem encontrar muitas mais no seguinte endereço
https://pt.wikipedia.org/wiki/Palavras_japonesas_de_origem_portuguesa


- イギリス・英吉利 (igirisu): inglês; Reino Unido
-  フラスコ (furasuko): frasco
- ボタン・釦・鈕 (botan): botão 
- 木瓜 (marumero): marmelo
- パン・麺麭・麪包 (pan): pão
- パンドロ (pandoro): pão-de-ló
- Tempura- empanado de legumes

N.B.- ARIGATÔ, contrariamente ao que muita gente pensa,não é uma palavra de origem portuguesa.

        

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

- "ALZHEIMER" pode atacar nas faixa dos 30"


A DEMÊNCIA PODE COMEÇAR NA FAIXA DOS 30. CONHEÇA OS 7 SINAIS DE ALERTA !

A demência é uma doença que usualmente atinge indivíduos acima dos 65 anos de idade. No entanto, o início dessa enfermidade pode começar muito antes, em pessoas que ainda estão na faixa dos 30 anos. Caso esteja nesta faixa etária ou conheça algum parente que também esteja é importante que você saiba dos sintomas iniciais, que em alguns casos são difíceis de serem diagnosticados, para que o tratamento necessário seja aplicado pouco a pouco. Quanto mais cedo a doença for descoberta, mais rápido será o tratamento, evitando, assim, o seu progresso. Veja no vídeo abaixo 7 sinais de demência, para que assim você fique em alerta e cuide da sua saúde e de pessoas queridas!

Aguarde o vídeo

sábado, 25 de junho de 2016

-" O Cu da Guarda "

Pormenor curioso da Sé Catedral da Cidade da Guarda

A Guarda, conhecida como a cidade mais alta de Portugal, conta com um pormenor escatológico com quatro centenas de anos que não está propriamente aos olhos de toda a gente – os nativos chamam-no de Cu da Guarda, e isto é para levar no sentido mais literal possível. O Cu da Guarda é uma gárgula esculpida numa esquina da Sé Catedral, obra negra e gótica que se encontra na parte alta da urbe (uma porção dela tida como uma judiaria), e trata-se, provavelmente, do maior orgulho das gentes guardenses.
Quem fez tal coisa, não se sabe. Mas a intenção parece ser óbvia: provocar Castela, visto o cu estar virado para Espanha. Este sentido parece ser o mais plausível, sobretudo se tivermos em conta que a Guarda não é a única povoação a querer desafiar os espanhóis com algum sentido de humor à mistura –  há mais cus em formas de gárgula em Portugal, sendo igualmente conhecido o de Caminha, também ele voltado para a fronteira.
Hoje, o Cu da Guarda funciona também como inspiração para artistas bracarenses. Só prova o quão importante ele é na construção da identidade desta guerreira cidade beirã.

                                                                                   FOTO


     
                                         

quinta-feira, 2 de junho de 2016

-" Quinta da Regaleira"- um mundo de beleza, sonho e fantasia

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O PALÁCIO DA REGALEIRA é o edifício principal e o nome mais comum do palácio da Quinta da Regaleira. Também é designado Palácio do Monteiro dos Milhões, denominação esta associada à alcunha do seu primeiro proprietário, António Augusto de Carvalho Monteiro.
O palácio está situado na encosta da serra e a escassa distância do Centro Histórico de Sintra estando classificado como Imóvel de Interesse Público desde 2002.[1]
Carvalho Monteiro, pelo traço do arquitecto italiano Luigi Manini, dá à quinta de 4 hectares, o palácio, rodeado de luxuriantes jardins, lagos, grutas e construções enigmáticas, lugares estes que ocultam significados alquímicos, como os evocados pela Maçonaria, Templários e Rosa-cruz. Modela o espaço em traçados mistos, que evocam a arquitectura românica, gótica, renascentista e manuelina.
(Wikipedia)

VÍDEO



domingo, 22 de maio de 2016

-" O Museu Nacional dos Coches, em Lisboa "

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O "Museu dos Coches Reais", foi criado em 1905 pela raínha D.Amélia, esposa do rei D.Carlos I, reunindo um enorme espólio em viaturas do Séc.XVI ao Séc.XIX no Picadeiro Real do Palácio de Belém, em Lisboa. 
Com a implantação da República, o museu passou a ter a designação de "Museu Nacional dos Coches" e o seu espólio foi acrescentado com a chegada de um conjunto de coches e berlindas da extinta Casa Real, em Vlia Viçosa, como ainda com viaturas provenientes dos bens da igreja e de coleções particulares.
Reunindo uma coleção única no mundo de viaturas de gala e de passeio, apresenta um excelente conjunto que permite ao visitante a compreensão da evolução técnica e artística dos meios de transporte de tração animal, utilizados pelas cortes europeias até ao aparecimento do automóvel.                                                                                                                        
                                 «                    VÍDEO                                    »

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Imagens em destaque







 


quinta-feira, 19 de maio de 2016

-"Visita virtual ao Palácio das Necessidades, em Lisboa"

Foto


O palácio, que era um antigo convento, está hoje ocupado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros. Já foi residência da família real, desde o reinado de Maria I até ao do último rei, Manuel II; exceção feita a Luís I que preferiu o Palácio da Ajuda. 

Em cada imagem deste vídeo excecional existe uma explicação; e em muitas pode-se clicar e ver detalhes, ou fazê-las rodar …

Venham daí fazer uma visita virtual ao Palácio das Necessidades, em Lisboa




sábado, 14 de maio de 2016

-"Um Passeio pela Fabulosa Muralha da China "

A Muralha da China
adaptação de Arnaldo Norton
(ou A Grande Muralha), situa-se entre o Mar Amarelo (litoral nordeste da China), o deserto de Gobi e a Mongólia (noroeste da China). O seu comprimento será de 21.196 Km e a altura de 7 m. É formada por diversas muralhas construídas ao longo de quase dois milénios ( de 220 a.C ao 
século XV).
Estima-se que nela trabalharam cerca de um milhão de pessoas, entre camponeses, soldados e prisioneiros, dos quais 80% terão morrido durante a construção, devido ao frio e a má alimentação.
A Muralha da China foi só um "elefante branco", pois não foi construida para impedir a invasão dos mongóis (como erradamente durante séculos se disse) e de outros povos; todos os Imperadores a viram como um meio para ocupar militares e população inativa. Ao mesmo tempo, foi um aceitável meio de manter o exército longe de "A Cidade Proíbida".

 

sábado, 30 de abril de 2016

terça-feira, 12 de abril de 2016

-"Marinha dos EUA e Terrorismo: 200 anos de convivência"


Quando em 1 de março de 2008, a garrafa de champagne se partiu ( só à segunda tentativa ) no batismo do "USS Navy New York", poucos estariam conscientes de que estavam a assistir a uma repetição da História.
O "USS Navy New York", foi construido, em parte, com o aço recuperado do World Trade Center, depois do covarde ataque perpetrado por terroristas muçulmanos e é um "Transporte Anfíbio, da classe Santo António" destinado ao combate ao terrorismo, podendo transportar  360 marinheiros e 700 fuzileiros navais.


A parte curiosa deste acontecimento é ser semelhante ao que aconteceu 200 anos antes, quando, em 1798, se batizava uma das fragatas que o Presidente Thomas Jefferson,  enviou para as costas do Norte de África para combaterem os piratas islâmicos (os terroristas dessa época) que sequestravam os navios que passavam no Mediterrâneo, incluindo os americanos.
Os piratas muçulmanos, além de atacarem frequentemente o litoral português, espanhol, francês e italiano, fazendo vítimas e escravos, saqueavam as cargas dos navios e cobravam fortunas pelos resgates.
Em 1786, Tohmas Jefferson e John Adams encontraram-se com Sidi Haji Abdul Rahman Adja, embaixador dos povos da região de Tripoli e Jefferson quis saber em que direito se baseavam os muçulmanos para continuarem a sequestrar e a matar americanos. O embaixador terá respondido que " o Islão foi fundado nas Leis do Profeta, que estão escritas no Corão, e diz que todas as nações que não aceitarem a sua autoridade são pecadoras e que é direito e dever declarar guerra contra os seua cidadãos onde puderem ser encontrados e fazer deles escravos."
Segundo consta, Jefferson ficou muito chocado com a resposta mas o governo americano continuou a pagar. As quantias pagas pelos resgates representavam 16% do orçamento federal e já atingiam 20% quando John Adams se tornou Presidente, em 1797.
Em 1801, logo após Jefferson ter sido eleito Presidente, os piratas aumentaram o preço da autorização para navegar nas "suas águas" e Jefferson, que sempre tinha sido contra o pagamento dos resgates, decide não pagar.
Com a recusa de Jefferson, os muçulmanos de Tripoli tomaram a embaixada americana e declararam guerra aos EUA.
Tunísia, Marrocos e Argélia juntaram-se aos líbios, ficando todo o norte de África, com exceção do Egito, em guerra com os EUA.
Felizmente, para Thomas Jefferson, anteriormente já havia planos para combater os piratas e o Congresso tinha aprovado, em 1794, a recuperação da marinha de guerra que fora dissolvida após a Independência.
Foram construidas seis fragatas destinadas a combater os piratas muçulmanos e foram elas que foram enviadas para o Mediterrâneo. Um acontecimento muito semelhante ao que iria acontecer 200 anos depois.
O conflito durou até 1805, terminando com vitória dos americanos que ocuparam a zona durante alguns anos para manter a paz.
Ainda há quem duvide de que a História sempre se repete !AN

quarta-feira, 6 de abril de 2016

-" A senhora do nº 6"

Uma senhora de 109 anos, cheia de recordações e que só vive para a música !
Um testemunho de vida impressionante e comovedor de uma pessoa que , através da música, conseguiu vencer a morte que o nazismo lhe queria impor.
IMPERDÍVEL !





domingo, 20 de março de 2016

-"Toda a vida europeia morreu em Auschwitz !"

   


Artigo de Sebastian Vilar Rodriguez publicado num jornal espanhol
em 2011.

Desci uma rua em Barcelona, e descobri repentinamente uma verdade terrível. – A Europa morreu em Auschwitz. Matámos seis milhões de Judeus e substituímo-los por 20 milhões de muçulmanos. Em Auschwitz queimámos uma cultura, pensamento, criatividade e talento. Destruímos o povo escolhido, verdadeiramente escolhido, porque era um povo grande e maravilhoso que mudara o mundo. A contribuição deste povo sente-se em todas as áreas da vida: ciência, arte, comércio internacional e, acima de tudo, como a consciência do mundo. Este é o povo que queimámos.
E debaixo de uma pretensa tolerância, e porque queríamos provar a nós mesmos que estávamos curados da doença do racismo, abrimos as nossas portas a 20 milhões de muçulmanos que nos trouxeram estupidez e ignorância, extremismo religioso e falta de tolerância, crime e pobreza, devido ao pouco desejo de trabalhar e de sustentar as suas famílias com orgulho.
Eles fizeram explodir os nossos comboios, transformaram as nossas lindas cidades espanholas, num terceiro mundo, afogando-as em sujeira e crime. Fechados nos seus apartamentos eles recebem, gratuitamente, do governo, eles planeiam o assassinato e a destruição dos seus ingénuos hospedeiros.
E assim, na nossa miséria, trocámos a cultura por ódio fanático, a habilidade criativa por habilidade destrutiva, a inteligência por subdesenvolvimento e superstição. Trocámos a procura de paz dos judeus da Europa e o seu talento, para um futuro melhor para os seus filhos, a sua determinação, o seu apego à vida porque a vida é santa, por aqueles que prosseguem na morte, um povo consumido pelo desejo de morte para eles e para os outros, para os nossos filhos e para os deles.
Que terrível erro cometido pela miserável Europa.

quinta-feira, 17 de março de 2016

-"Veja se sabe escrever em "bom português"



Será que sabe mesmo escrever “em bom português”?...


Atazanar: O verbo correto é “atenezar” e não “atazanar” ou ainda “atanazar“. “Atenezar” significa apertar com uma tenaz e, por extensão do sentido, afligir, atormentar ou angustiar.
Catrapázio: A palavra certa é “carpácio”, que significa uma carta ou uma mensagem muito grande. Em sentido figurado, o termo pode ainda ser usado para descrever um livro ou material de leitura volumoso e muito aborrecido.
Mal e porcamente: A expressão original é “mal e parcamente”, e não “mal e porcamente”.
Ovelha ranhosa: À semelhança de “mal e porcamente”, a expressão “ovelha ranhosa” também começou por ser bastante diferente. A expressão idiomática original é “ovelha ronhosa” porque, como explica Manuel Monteiro, vem de “ronha” e não de “ranho”.
Pelos vistos: A expressão correta é “pelo visto”, sendo que “visto” é o particípio passado do verbo “ver”. Assim, “pelo visto” é sinónimo de “pelo observado” ou “pelo verificado”, também particípios passados.
Piar fino: Fiar fino”, “fiar mais fino” ou “fiar muito fino” — e não “piar fino”. Herberto Helder, em A Morte Sem Mestre, diz “que ele próprio ia pagar com a vida por essas outras razões, mas que logo ressuscitaria e depois é que todos veriam como tudo ia fiar mais fino“.
A expressão surge também referida em vários dicionários, como o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporâneo, da Academia das Ciências, como sinónimo de “exigir esforço, cautela e minúcia”.
Por portas e travessas: A expressão correta é “por portas travessas”, sendo que “travessas” é um adjetivo e não um substantivo.
Portugal dos Pequeninos: Apesar de ser conhecido como “Portugal dos Pequeninos”, o parque temático de Coimbra chama-se “Portugal dos Pequenitos”.
Rebaldaria: Uma “rebaldaria” é, na verdade, uma “ribaldaria“. O termo vem do francês antigo “ribalt” (“ribaud” no francês atual), que quer dizer patife, malandro ou libertino.
Salganhada: A palavra correta é “salgalhada”. De acordo com Manuel Monteiro, o termo vem de “salgar” e significa trapalhada, confusão ou mixórdia.



segunda-feira, 14 de março de 2016

-"O deficiente sistema de ensino dos EUA"

O presente vídeo mostra-nos a deficiência do sistema educacional americano e como ele está por detrás da crise económica. Faz-nos a preocupante revelação de que a grande maioria dos doutorados em universidades americanas são estrangeiros que, regra geral regressam aos seus países de origem.



sábado, 20 de fevereiro de 2016

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

-"Inquérito sobre o Rendimento Básico Incondicional"

Um inquérito sobre o Rendimento Básico Incondicional, realizado na Suiça, revelou que 9 em cada 10 suiços continuariam a trabalhar, mesmo recebendo o RBI.
 


22% estabeleceriam-se por conta própria                                                   só 2% deixariam de trabalhar

59 % dos inquiridos com menos de 35 anos acreditam que o Rendimento Básico Incondicional será, em breve, uma realidade. 

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

- "200 milhões de raparigas e mulheres vítimas de mutilação genital"

em 30 países, revela um relatório estatístico da UNICEF.
A “Excisão Feminina” consiste, nos países árabes, na remoção apenas da parte superior do clitóris. Em África, pratica-se a clitoridectomia, ou remoção total do clitóris e por vezes mesmo a remoção dos pequenos lábios.
Segundo o relatório UNICEF metade do conjunto de raparigas e mulheres que foram excisadas vivem em três países: - Egipto, Etiópia e Indonésia.
As raparigas até aos 14 anos constituem 44 milhões das excisadas, registando-se a maior prevalência de Mutilação Genital Feminina (MGF) nessa faixa etária na Gâmbia (56%), na Mauritânia (54%). Na Indonésia, cerca de metade de todas as raparigas até aos 11 anos foram submetidas à prática. Os países com a maior prevalência na faixa dos 15 aos 49 anos são a Somália (98%), a Guiné (97%) e o Djibouti (93%).

Países onde se pratica a excisão feminina

Na maior parte dos países, é predominante o número de raparigas que foram excisadas antes de completar os cinco anos de vida.
Centenas de mulheres continuam a morrer em virtude desta ‘operação’. Infecções, sangramentos até à morte, perda de vitalidade, falta de higiene dos instrumentos, tudo leva a que a excisão seja um perigo para a saúde. Em alguns países, o clitóris é cortado com uma simples pedra afiada e para evitar o sangramento são colocadas sobre a ferida cinzas ainda quentes ou borras de café.
Todos os objetos afiados podem ser usados para a operação, desde lâminas de barbear, facas de cozinha, tesouras e pedaços de vidro. Estes ‘instrumentos’ são frequentemente usados em diferentes raparigas no mesmo dia e raramente são limpos e muito menos esterilizados, causando a transmissão de vários vírus como o HIV e outras infecções na área genital.
As razões apresentadas para a excisão variam entre o facto da mulher que mantém o clítoris ser considerada impura e não apta para o casamento até à crença que o facto de um pénis tocar no clitóris ser fatal para o homem.
Outras apontam para que este seja um tratamento contra a feitiçaria, a segurança sobre a virgindade, honra de família ou simplesmente para as afastar do sexo, tornado-as simples objetos de prazer para o marido. Em Dezembro de 1993 as Nações Unidas adotaram a ‘Declaração sobre a Violência contra a Mulher’, um reconhecimento implícito por parte da comunidade internacional da existência de um fenómeno universal de violência de género (pois afeta apenas as mulheres), no qual se incluem as mutilações genitais femininas. Um pequeno passo para um tão grande problema que ameaça continuar por mais um milénio, visto os chamados “Países Civilizados” não estarem disposto a por cobro a esta tragédia.
Oxalá este artigo possa contribuir para envergonhar alguns dos “responsáveis” que o possam ler.



quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

-"Manifesto dos Robôs" no WEF,pela RENDA BÁSICA INCONDICIONAL

Hoje em Davos, na Suiça, vai haver uma estreia: o WEF vai receber o primeiro participante não-humano


MANIFESTO DOS ROBÔS  –  DAVOS 2016

Autoria de Che Wagner; tradução de Arnaldo Norton.

Nós, robôs, exigimos que seja atribuída a cada pessoa a RENDA BÁSICA INCONDICIONAL.
A nossa tarefa é libertar o ser humano da obrigação de ter de trabalhar para poder viver.
Nós gostamos muito de trabalhar, mas não queremos tirar às pessoas os seus postos de trabalho nem lhes criar dificuldades.
Hoje somos considerados um perigo para a humanidade mas nós só queremos ajudar. Queremos libertar os seres humanos das tarefas de rotina de modo a eles disporem de mais tempo livre para tarefas criativas e sociais. Nós vemo-nos como parte integrante duma iniciativa de sucesso.
O homem é o nosso criador e nós podemos fazer para ele tudo o que seja previsível e programável. Há, no entanto, uma questão essencial: nós não precisamos de salário, mas ele que nos criou e para quem nós trabalhamos precisa de ter uma fonte de rendimento.
A nossa função é fornecer às pessoas os bens e os serviços de que necessitam. A obrigação dos políticos é proporcionar às pessoas uma renda que lhes permita viver; se não for assim a nossa função não terá qualquer sentido.
Apesar de não ser culpa nossa, temos um peso nas nossas consciências de robôs: as pessoas têm medo de nós e receiam que sejamos uma ameaça ao seu futuro fazendo-os perder os seus empregos.
Especialmente os jovens, já hoje, na Europa, não encontram emprego (na Itália já 40%) e a maioria tende a resignar-se e a desistir perante o que parece uma fatalidade: NÃO HAVER FUTURO !
Mas não é nossa intenção contribuir para isso; queremos criar condições para que os jovens não precisem de trabalhar duramente como as gerações anteriores.
Os jovens não têm medo da vida nem são preguiçosos. O que eles receiam é uma existência vazia e frustrante, fazendo coisas alienantes que, na realidade, nós, robôs, podemos fazer por eles.
Por isso, nós, os robôs da Renda Básica, pedimos aos responsáveis da política, da economia e da cultura que, com vista ao futuro, analisem e discutam a possibilidade de se introduzir a RENDA BÁSICA INCONDICIONAL.

P.S.- se quiser saber mais sobre a RENDA BÁSICA com vídeo vá a http://rosadosventosan.blogspot.pt/2011/08/renda-basica-de-cidadania.html

-"Cartas Portuguesas" de Sóror Mariana Alcoforado (Quinta Carta)


 QUINTA CARTA
Escrevo-lhe pela última vez e espero fazer-lhe sentir, na diferença de termos e modos desta carta, que finalmente acabou por me convencer de que já me não ama e que devo, portanto, deixar de o amar.
Mandar-lhe-ei, pelo primeiro meio, o que me resta ainda de si. Não receie que lhe volte a escrever, pois nem sequer porei o seu nome na encomenda. De tudo isso encarreguei D. Brites, que eu habituara a confidências bem diferentes. Os seus cuidados não me serão tão suspeitos quanto os meus. Ela tomará as precauções necessárias para que eu fique com a certeza de que recebeu o retrato e as pulseiras que me deu. Quero porém dizer-lhe que me encontro, há já alguns dias, na disposição de me desfazer e queimar essas lembranças do seu amor, que tão preciosas me foram. Mas tanta franqueza lhe tenho mostrado que nunca acreditaria que eu fosse capaz de chegar a tal extremo. Quero sentir até ao fim a pena que tenho em separar-me delas e causar-lhe ao menos algum despeito.
Confesso-lhe, para vergonha minha e sua, que me encontrei mais presa do que quero dizer-lhe a estas futilidades, e senti outra vez necessidade de toda a minha reflexão para me separar de cada uma em particular, e isto quando já me gabava de me ter desprendido de si. Mas, com tantos motivos, consegue-se sempre o que se deseja. Pus tudo nas mãos de D. Brites. Quantas lágrimas me não custou esta resolução! Depois de mil impulsos e mil hesitações, que nem pode imaginar, e de que certamente não lhe darei conta, roguei-lhe para me não voltar a falar nelas, nem mas restituir ainda que lhas pedisse só para as ver uma vez mais e, por fim, remeter-lhas sem me prevenir.
Não conheci o desvario do meu amor senão quando me esforcei de todas as maneiras para me curar dele, e receio que nem ousasse tentá-lo se pudesse prever tanta dificuldade e tanta violência. Creio que me teria sido menos doloroso continuar a amá-lo, apesar da sua ingratidão, do que deixá-lo para sempre. Descobri que lhe queria menos do que à minha paixão, e sofri penosamente em combatê-la, depois que o seu indigno procedimento me tornou odioso todo o seu ser. O orgulho tão próprio das mulheres não me ajudou a tomar qualquer decisão contra si. Ai, suportei o seu desprezo, e teria suportado o ódio e o ciúme que me provocasse a sua inclinação por outra! Ao menos, teria qualquer paixão a combater. Mas a sua indiferença é intolerável. Os impertinentes protestos de amizade e a ridícula correcção da sua última carta provaram-me ter recebido todas as que lhe escrevi e que, apesar de as ter lido, não perturbaram o seu coração. Ingrato! E a minha loucura é tanta ainda, que desespero por já não poder iludir-me com a ideia de não chegarem aí, ou de não lhe terem sido entregues.
Detesto a sua franqueza. Pedi-lhe eu para me dizer pura e simplesmente a verdade? Porque me não deixou com a minha paixão? Bastava não me ter escrito: eu não procurava ser esclarecida. Não me chegava a desgraça de não ter conseguido de si o cuidado de me iludir? Era preciso não lhe poder perdoar? Saiba que acabei por ver quanto é indigno dos meus sentimentos; conheço agora todas as suas detestáveis qualidades. Mas, se tudo quanto fiz por si pode merecer-lhe qualquer pequena atenção para algum favor que lhe peça, suplico-lhe que não me escreva mais e me ajude a esquecê-lo completamente. Se me mostrasse, ao de leve que fosse, ter sentido algum desgosto ao ler esta carta, talvez eu acreditasse; talvez a sua confissão e o seu arrependimento me enchessem de cólera e de despeito; e tudo isso poderia de novo incendiar-me.
Não se meta pois no meu caminho; destruiria, sem dúvida, todos os meus projectos, fosse qual fosse a maneira por que se intrometesse. Não me interessa saber o resultado desta carta; não perturbe o estado para que me estou preparando. Parece-me que pode estar satisfeito com o mal que me causa, qualquer que fosse a sua intenção de me desgraçar. Não me tire desta incerteza; com o tempo espero fazer dela qualquer coisa parecida com a tranquilidade. Prometo-lhe não o ficar a odiar: por de mais desconfio de sentimentos de sentimentos exaltados para me permitir intentá-lo.
Estou convencida de que talvez encontrasse aqui um amante melhor e mais fiel; mas ai!, quem me poderá ter amor? Conseguirá a paixão de outro homem absorver-me? Que poder teve a minha sobre si? Não sei eu por experiência que um coração enternecido nunca mais esquece quem lhe revelou prazeres que não conhecia, e de que era susceptível?, que todos os seus impulsos estão ligados ao ídolo que criou? que os seus primeiros pensamentos e primeiras feridas não podem curar-se nem apagar-se?, que todas as paixões que se oferecem como auxílio, e se esforçam por o encher e apaziguar, lhe prometem em vão um sentimento que não voltará a encontrar? , que todas as distracções que procura, sem nenhuma vontade de as encontrar, apenas servem para o convencer que nada ama tanto como a lembrança do seu sofrimento? Porque me deu a conhecer a imperfeição e o desencanto de uma afeição que não deve durar eternamente, e a amargura que acompanha um amor violento, quando não é correspondido? E por que razão, uma cega inclinação e um cruel destino, persistem quase sempre em prender-nos àqueles que só a outros são sensíveis?
Mesmo que esperasse distrair-me com nova afeição, e deparasse com alguém capaz de lealdade, é tal a pena que sinto por mim que teria muitos escrúpulos em arrastar o último dos homens ao estado a que me reduziu. E embora me não mereça já nenhum respeito, não poderia decidir-me a tão cruel vingança, mesmo se, por uma mudança que não vislumbro, isso viesse a depender de mim.
Procuro neste momento desculpá-lo, e sei bem que uma freira raramente inspira amor; no entanto parece-me que, se a razão fosse usada na escolha, deveriam preferir-se às outras mulheres: nada as impede de pensar constantemente na sua paixão, nem são desviadas por mil coisas com que as outras se distraem e ocupam. Creio que não deve ser muito agradável ver aquelas a quem amamos sempre distraídas com futilidades; e é preciso ter bem pouca delicadeza para suportar, sem desespero, ouvi-las só falar de reuniões, atavios e passeios. Continuamente se está exposto a novos ciúmes, pois elas são obrigadas a certas atenções, certas condescendências, certas conversas. Quem pode garantir que em tais ocasiões se não divirtam, e que suportem os maridos somente com extremo desgosto, e sem qualquer aprovação? Como elas devem desconfiar de um amante que lhes não peça contas rigorosas de tudo isso, que acredite facilmente e sem inquietação no que lhe dizem, e as veja, confiante e tranquilo, sujeitas a todas essas obrigações!
Mas não pretendo provar-lhe com boas razões que me devia amar. Fracos meios seriam estes, e eu outros usei bem melhores sem nenhum resultado. Conheço de sobra o meu destino para tentar mudá-lo. Hei-de ser toda a vida uma desgraçada! Não o era já quando o via todos os dias? Morria de medo que me não fosse fiel; queria vê-lo a cada momento e isso não era possível; inquietava-me com o perigo que corria ao entrar neste convento; não vivia quando estava em campanha; desesperava-me por não ser mais bonita e mais digna de si; lamentava a mediocridade da minha condição; pensava nos prejuízos que lhe podia acarretar a afeição que parecia ter por mim; imaginava que não o amava bastante; receava, por si, a cólera de minha família; enfim, encontrava-me num estado tão lamentável como aquele em que estou agora.
Se me tivesse dado alguma prova de amor, depois de ter saído de Portugal, teria feito todos os esforços para sair daqui; ter-me-ia disfarçado para ir ter consigo. Ai, que teria sido de mim se não se importasse comigo, depois de estar em França? Que horror! Que loucura! Que vergonha tão grande para a minha família, a quem quero tanto, depois que deixei de o amar!
A sangue-frio, como vê, reconheço que podia ainda ser mais digna de piedade do que sou. Ao menos uma vez na vida falo lhe ponderadamente. Quanto lhe agradará a minha moderação, e como ficará satisfeito comigo! Mas não quero sabê-lo! Já lhe pedi, e volto a suplicar-lho para não me escrever mais.
Nunca reflectiu na maneira como me tem tratado? Nunca pensou que me deve mais obrigações do que a qualquer outra pessoa? Amei-o como uma louca, tudo desprezei! O seu procedimento  não é de um homem de bem. É preciso que tivesse por mim uma aversão natural para me não ter amado  apaixonadamente. Deixei-me fascinar por qualidades bem medíocres. Que fez para me agradar? Que sacrifícios fez por mim? Não procurou tantos outros prazeres? Renunciou ao jogo e à caça? Não foi o primeiro a partir para campanha? Não foi o último a regressar? Expôs-se loucamente, apesar de tanto lhe haver pedido que se poupasse por amor de mim. Nunca procurou um meio de se fixar em Portugal, onde era estimado. Uma carta de seu irmão bastou para o fazer abalar, sem a menor hesitação. E não vim eu saber que, durante a viagem, a sua disposição era a melhor do mundo?
Forçoso me é confessar que tenho razões para o odiar mortalmente. Ah, eu própria atraí sobre mim tanta desgraça! Acostumei-o desde início, ingenuamente, a uma grande paixão, e é necessário algum artifício para nos fazermos amar. Devem procurar-se com habilidade os meios de agradar: o amor por si só não suscita amor. Como pretendia que eu o amasse, e como havia formado tal desígnio, não houve nada que não tivesse feito para o atingir; ter-se-ia decidido mesmo a amar-me, se tal fosse preciso. Mas percebeu que o amor não era necessário para o êxito do seu empreendimento, nem dele precisava para nada. Que perfídia! Pensa poder enganar-me impunemente? Se por acaso voltar a este país, declaro-lhe que o entregarei à vingança da minha família.
Muito tempo vivi num abandono e numa idolatria que me horrorizam, e o remorso persegue-me com uma crueldade insuportável. Sinto uma vergonha enorme dos crimes que me levou a cometer; já não tenho pobre de mim!, a paixão que me impedia de conhecer-lhes a monstruosidade. Quando deixará o meu coração de ser dilacerado? Quando é que me livrarei desta cruel perturbação? Apesar de tudo, creio que não lhe desejo nenhum mal, e talvez me não importasse que fosse feliz. Mas como poderá sê-lo, se tiver coração?
Quero escrever-lhe ainda outra carta para lhe mostrar que daqui a algum tempo, talvez já tenha  mais serenidade. Com que satisfação lhe censurarei então o seu injusto procedimento, quando este já não me importunar; lhe farei sentir que o desprezo; que falo da sua traição com a maior indiferença; que esqueci alegrias e penas; e só me lembro de si quando me quero lembrar!
Concordo que tem sobre mim muitas vantagens, e que me inspirou uma paixão que me fez perder a razão; mas não deve envaidecer-se com isso. Eu era nova, ingénua; haviam-me encerrado neste convento desde pequena; não tinha visto senão gente desagradável; nunca ouvira as belas coisas que constantemente me dizia; parecia-me que só a si devia o encanto e a beleza que descobrira em mim, e na qual me fez reparar; só ouvia dizer bem de si; toda a gente me dispunha a seu favor; e ainda fazia tudo para despertar o meu amor… Mas, por fim, livrei-me do encantamento. Grande foi a ajuda que me deu, e de que tinha, confesso, extrema necessidade.

Ao devolver-lhe as suas cartas, guardarei, cuidadosamente, as duas últimas que me escreveu ; hei-de lê-las ainda mais do que li as primeiras, para não voltar a cair nas minhas fraquezas. Ah, quanto me custam e como teria sido feliz se tivesse consentido que o amasse sempre! Reconheço que me preocupo ainda muito com as minhas queixas e a sua infidelidade, mas lembre-se que a mim própria prometi um estado mais tranquilo, que espero atingir, eu então tomarei uma resolução extrema, que virá a conhecer sem grande desgosto. De si nada mais quero. Sou uma doida, passo o tempo a dizer a mesma coisa. É preciso deixá-lo e não pensar mais em si. Creio mesmo que não voltarei a escrever-lhe. Que obrigação tenho eu de lhe dar conta de todos os meus sentimentos?